
Resumo
- Tinder e o Bumble investem em IA para aumentar o engajamento e atrair jovens.
- As empresas tem focado em encontros reais e novas funcionalidades voltadas à inteligência artificial.
- O Bumble registrou um crescimento de 7,9% por usuário pagante, enquanto o Tinder enfrenta queda no número de assinantes.
Arrastar fotos incansavelmente pode ter esgotado a paciência de uma geração. Para as empresas responsáveis por apps de relacionamento, o público mais jovem demonstra cada vez menos interesse em colecionar conexões ou manter conversas que não evoluem para algo concreto.
Por isso, as gigantes Tinder e Bumble revelaram como querem frear a fuga de usuários e assinantes: encontros na vida real e uso de IA. O Bumble testa desde o mês passado um botão específico que permite convidar o outro participante para um encontro quando a conversa parece perder ritmo.
Já o Tinder segue uma lógica semelhante ao tentar levar os usuários para além do chat. Parte de um aporte de US$ 50 milhões (cerca de R$ 262 milhões) da controladora Match Group está sendo direcionado a recursos que incentivam interações físicas.
Entre eles está uma aba de “Eventos”, em testes em Los Angeles, nos EUA, que cria oportunidades para conhecer outras pessoas em programações locais. O Bumble também estuda introduzir ferramentas de socialização em grupo como resposta ao interesse dos jovens.
IA em todo canto

Uma das frentes da estratégia dos apps também é o uso crescente de IA. O Bumble, por exemplo, desenvolve o Bee, um assistente de namoro alimentado por IA generativa que deve aprender sobre valores, estilo de comunicação e objetivos de relacionamento em conversas privadas com o usuário.
A ferramenta ainda está em testes internos, segundo o TechCrunch, mas reforça a presença cada vez maior da inteligência artificial no processo de conhecer um par pelo aplicativo (interferindo inclusive na construção do perfil). Em fevereiro, a empresa já havia anunciado testes de recursos capazes de avaliar fotos e biografias e sugerir melhorias.
Ao mesmo tempo, a expansão da IA preocupa outros apps, que temem o uso da própria tecnologia na criação de perfis falsos. Empresas como Tinder e Happn, mesmo trazendo ajuda da IA, têm reforçado medidas para identificar conteúdos gerados artificialmente e combater golpes e contas fraudulentas.
Faturamento em alta
Entre as estratégias adotadas, o Bumble parece colher resultados mais positivos. De acordo com o TechCrunch, a empresa superou expectativas no quarto trimestre, com receita de US$ 224,2 milhões (R$ 1,1 bilhão) e crescimento de 7,9% na média por usuário pagante, o que impulsionou suas ações em cerca de 40%.
Do lado do Tinder, a controladora Match Group continua registrando quedas consecutivas no número de assinantes pagantes, apesar de o aplicativo ainda ter gerado US$ 878 milhões (R$ 4,6 bilhões) em receita no período.
Tinder e Bumble investem em IA para reverter queda de engajamento