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Jovens dos EUA não confiam nos líderes da IA, mostra pesquisa

Resumo
  • A maioria dos jovens dos EUA entre 18 e 34 anos não confia nos líderes de empresas de IA, como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Sam Altman, com índices de desconfiança acima de 70%, segundo pesquisa da CNBC.
  • 45% dos jovens acreditam que a IA terá impacto negativo em suas carreiras.
  • 60% dos jovens defendem desacelerar a construção de novos data centers para IA, devido a preocupações com o consumo de água e energia.

As vaias a executivos de tecnologia em formaturas nos Estados Unidos deixaram claro que parte dos jovens vê a IA como uma ameaça. Agora, uma pesquisa reforça que a maioria dos jovens estadunidenses de 18 a 34 anos desconfia dos líderes da IA e teme os efeitos da tecnologia sobre a própria carreira.

O levantamento foi feito pela CNBC em parceria com a Generation Labs, e ouviu 1.088 pessoas nessa faixa etária. Segundo a pesquisa, todos os executivos avaliados ligados à corrida da IA registraram saldo negativo de confiança.

A rejeição passa de 70% para nomes como Elon Musk, Mark Zuckeberg e Sam Altman. Além da desconfiança, os jovens também demonstram pessimismo sobre os efeitos da tecnologia no trabalho: 45% acreditam que a IA terá impacto negativo em suas carreiras.

Desconfiança atinge todos os líderes avaliados

A pesquisa mediu a confiança dos jovens em executivos associados à IA, e nenhum deles conseguiu um saldo positivo.

Os maiores índices de desconfiança foram registrados por figuras ligadas a Palantir, empresa conhecida por trabalhar com a mineração de grandes volumes de dados. 81% dos respondentes disseram não confiar no CEO, Alex Karp, e no presidente do conselho da empresa, Peter Thiel. Dario Amodei, CEO da Anthropic, aparece logo depois, com 76%. A lista segue com:

  • Sundar Pichai (CEO da Alphabet/Google): 74% de desconfiança
  • Jensen Huang (CEO da Nvidia): 71% de desconfiança
  • Mark Zuckerberg (CEO da Meta): 71% de desconfiança
  • Elon Musk (CEO da SpaceX/xAI): 70% de desconfiança
  • Sam Altman (CEO da OpenAI): 69% de desconfiança
  • Satya Nadella (CEO da Microsoft): 65% de desconfiança

Formaturas viraram palco de protesto

O desconforto com a IA já vinha aparecendo em cerimônias de formatura nos Estados Unidos. Em um dos casos mais simbólicos, o ex-CEO do Google, Eric Schmidt foi vaiado na Universidade do Arizona ao falar sobre os avanços da tecnologia.

O atual CEO da empresa também teve que enfrentar os formandos. Em Stanford, dezenas de alunos abandonaram a cerimônia quando Pichai foi chamado ao palco. Segundo a BBC, o protesto criticava contratos da empresa com governos, especialmente os que envolvem IA.

As críticas também se misturam à opinião política dos estudantes. O levantamento da CNBC aponta que um total de 78% dos entrevistados enxerga a economia do país como “ruim”, “muito ruim” ou “não poderia ser pior”.

Investimentos em infraestrutura também são criticados

A resistência também aparece quando o assunto é infraestrutura de IA. Segundo o levantamento, 60% dos jovens defendem desacelerar a construção de novos data centers. Apenas 15% acreditam que as obras devem ser aceleradas.

Para parte dos entrevistados, o avanço da IA também envolve preocupações com a escala física e econômica necessária para sustentar a tecnologia. Data centers são uma das bases da expansão da IA generativa e têm causado críticas de ambientalistas, pelo grande consumo de água e energia.

Consumidores de eletrônicos comuns também sentem o impacto. Com o direcionamento de grande parte das fábricas de semicondutores para suprir a demanda dos novos centros, peças e dispositivos do dia a dia estão enfrentando grandes reajustes de preço.

Ao todo, os gastos de big techs com infraestrutura para devem ultrapassar US$ 700 bilhões (cerca de R$ 3,5 trilhões).

Jovens dos EUA não confiam nos líderes da IA, mostra pesquisa