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Guerra do delivery: iFood denuncia espionagem e propostas indecentes

Resumo
  • O iFood denuncia assédio de consultorias asiáticas buscando informações sobre seu modelo de inteligência artificial, o LCM, oferecendo até US$ 500 por hora de conversa.
  • Mais de 35 funcionários do iFood foram contatados por analistas estrangeiros, com abordagens via LinkedIn, após um evento de tecnologia promovido pela empresa.
  • A empresa investiga internamente a situação como tentativa de espionagem e já possui três inquéritos policiais abertos relacionados a roubo de dados.

O movimentado setor de delivery brasileiro deve ganhar mais um capítulo digno de programa televisivo. O iFood revelou com exclusividade ao Tecnoblog que está sofrendo assédio de consultorias internacionais, que oferecem dinheiro aos funcionários em busca de informações estratégicas e de inteligência artificial.

Ao longo de 2025, os serviços 99Food e Keeta desembarcaram por aqui, fruto de investimentos bilionários de grupo chineses. O iFood, até então numa posição dominante, passou a enfrentar uma concorrência mais pesada. De acordo com o head de comunicação institucional Rafael Corrêa, no entanto, a disputa não está ocorrendo apenas nas ofertas e práticas comerciais.

Mais de 35 funcionários do iFood foram contactados, ao longo das últimas semanas, por supostos analistas de firmas estrangeiras de consultoria de mercado, na mais recente onda de abordagens. Em comum, elas ficam baseadas na China e têm uma abordagem muito similar: oferecem um bate-papo remunerado, de cerca de uma hora, para tratar do LCM (Large Commerce Model), a inteligência artificial de base que alimenta o Ailo, mecanismo de interface do iFood.

“Atualmente estamos colaborando com uma instituição de investimento de destaque e acreditamos que seu profundo conhecimento da indústria de delivery de alimentos pode oferecer insights valiosos para as iniciativas estratégicas deles”, diz uma das mensagens. A analista propõe uma consultoria remunerada “com foco em aplicações de produtos de IA”.

O valor oferecido começa em US$ 100 e pode chegar a US$ 500 (cerca de R$ 2.800) pela hora de conversa, conforme as mensagens compartilhadas com o Tecnoblog. “É uma tentação”, diz Corrêa.

O executivo pondera que a atividade de consultoria de mercado é legítima, mas que, nas abordagens recentes a funcionários do iFood, elas ultrapassam a fronteira ética ao proporem perguntas muito específicas sobre uma ferramenta de fronteira desenvolvida no Brasil, com alto investimento e segredo comercial.

A guerra do delivery

Este é apenas mais um de inúmeros fatos envolvendo empresas de delivery de comida. Existem relatos já documentados pela imprensa de sumiço de notebooks com informações confidenciais, contratação de profissionais que ainda cumpriam período de quarentena e até mesmo crachás falsos apresentados a donos de restaurantes. Vários departamentos de polícia investigam o assunto no estado de São Paulo.

Segundo Corrêa, o iFood já havia identificado o assédio de consultorias asiáticas no começo do ano, com mais de 170 mensagens catalogadas sobre temas comerciais e financeiros. A primeira leva levou a notificações extrajudiciais. Ele explica que a segunda onda ocorreu após um evento promovido pelo iFood para apresentar inovações tecnológicas. Alguns dos palestrantes do congresso foram abordados semanas após suas apresentações.

Espionagem

Internamente, a empresa trata o assunto como tentativa de espionagem. A empresa ainda não definiu se irá novamente apresentar queixa-crime sobre estas novas abordagens, já que ainda quer entender de onde o “ataque” está vindo. A companhia, contudo, já possui três inquéritos policiais abertos para investigar roubo de dados por funcionários em episódios anteriores.

Alvo do momento, o LCM é um sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo iFood e pela holding Prosus que utiliza dados de consumo para identificar padrões. Ele serve de base para o Ailo, um modelo de agente que permite fazer pedidos por voz ou texto dentro do WhatsApp.

Guerra do delivery: iFood denuncia espionagem e propostas indecentes

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