
Resumo
- Óculos inteligentes de marcas como a Meta e a Alibaba são alugados para fraudes em provas, especialmente na China.
- Os dispositivos exibem informações nas lentes ou operam com assistentes de IA, dificultando a fiscalização em exames.
- Aluguéis variam de US$ 6 a US$ 12 por dia, com proibição em exames importantes, mas identificação dos óculos é complexa.
O avanço dos óculos inteligentes ainda não trouxe aplicações massivas no dia a dia, mas já começa a gerar preocupações em áreas sensíveis. Relatos recentes indicam que esse cenário já deu origem a um mercado paralelo de aluguel, especialmente entre estudantes, segundo reportagem do site Rest of World. A prática envolve o uso de óculos com inteligência artificial para obter respostas durante exames, o que levanta dúvidas sobre fiscalização e limites no uso da tecnologia.
Como funciona o aluguel de óculos inteligentes?
De acordo com o Rest of World, estudantes na China têm recorrido a modelos de empresas como Rokid para obter vantagem em exames. Os dispositivos podem exibir informações diretamente nas lentes ou operar conectados a assistentes de IA.
Uma estudante ouvida sob anonimato afirmou que, além de usar os óculos, também os aluga para colegas. Já um empresário relatou oferecer modelos desenvolvidos por empresas como Rokid e Alibaba, com anúncios destacando a capacidade de responder questões de inglês e matemática. Segundo ele, há demanda de “estudantes que precisam dos óculos para exames”.
Os preços variam entre US$ 6 e US$ 12 por dia (cerca de R$ 30 a R$ 60), dependendo do modelo. A demanda, segundo os relatos, vem principalmente de estudantes que buscam melhorar o desempenho em provas importantes.
Embora não haja evidências de um mercado estruturado no Brasil, plataformas de classificados como a OLX não indicam, até o momento, ofertas claras de aluguel de óculos inteligentes.
É possível detectar esses dispositivos?
Apesar da popularidade, o uso desses dispositivos é proibido em exames importantes, como provas de admissão universitária e concursos públicos na China. Ainda assim, a fiscalização continua sendo um desafio.
Uma das principais dificuldades para conter o uso indevido está na identificação dos óculos inteligentes. Alguns modelos, como os desenvolvidos pela Meta em parceria com a Ray-Ban, possuem câmeras visíveis. Outros, porém, têm aparência praticamente idêntica à de óculos comuns.
Há dispositivos que contam apenas com pequenos displays embutidos nas lentes, difíceis de perceber sem inspeção detalhada. Isso dificulta o trabalho de fiscalização em ambientes como salas de prova, tribunais ou outros locais com restrições.
Nos Estados Unidos, instituições responsáveis por exames padronizados e ambientes judiciais já proibiram o uso desses dispositivos. Ainda assim, especialistas apontam que a aplicação das regras é complexa, já que exige treinamento específico para identificar diferentes modelos.
Cola 2.0: estudantes alugam óculos smart e fraudam provas importantes